Durante os primeiros seis meses de 2011 nossa igreja estará sendo ministrada no livro de Atos dos Apóstolos.
Começamos no domingo (02/01) e vamos até Junho, se o bondoso Deus nos permitir.
O propósito de pregar sermões expositivos do livros da Bíblia nasceu em meu coração após constatar que as igrejas mais abençoadas da história foram aquelas que seus pastores pregavam a Bíblia expositivamente.
Os apóstolos do Senhor Jesus pregavam sermões expositivos, sempre expondo a Escritura, explicando-a e aplicando-a à vida da igreja. Os reformadores do século XVI também foram grandes pregadores expositivos. John Wesley, Jonathan Edwards (Esse da minha confissão; Congregacional), D. L. Moody, Charles Spurgeon, Robert Kalley (Fundador do congregacionalismo no Brasil), Hernandes Dias Lopes, entre tantos outros seguem o mesmo modelo de sermão.
Pregar expositivamente tem o objetivo de transmitir a Palavra de Deus à sua Igreja. É pregar a Bíblia toda para todos.
Não há como conhecer a Deus senão pela Escritura e não há como conhecer a Escritura senão pela leitura, exposição e aplicação da mesma à nossa vida.
Venha estar conosco e receber de Deus aquilo que Ele tem para nos falar através da Sua Palavra.
Que o Altíssimo nos abençoe.
Pr. Ioséias.
Este blog objetiva promover o seu desenvolvimento e crescimento pessoal no conhecimento a partir do viés cristão e te abençoar, levando voce a uma reflexão acerca da Bíblia e da sua mensagem.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Gratidão a quem merece
Não sei nem como começar, mas sei que é preciso.
Tentarei começar pelas lembranças da infância,
Embora eu saiba que mesmo antes, vocês já me amavam.
Não posso me esquecer dos momentos em que me machucava,
Fosse física, ou emocionalmente,
Sempre procurava um de vocês.
Porque não sabia o que fazer sem tê-los por perto.
Cresci aprendendo valores que guardo até hoje,
E que fizeram de mim um homem;
Mas um homem que só existe porque um outro homem
Muito melhor do que eu; me ensinou com o seu exemplo
Como um homem de verdade vive.
E porque uma mulher maravilhosa também me fez ver
Através do amor que dispensava, e dispensa a esse homem
O quanto é maravilhoso ter uma família e cuidar bem dela.
Hoje, estou aqui selando o meu pacto de amor,
E, embora eu tenha falhado em seguir plenamente o vosso exemplo
Vocês me honraram, e sobretudo, me perdoaram
Quando mais precisei.
Por isso, o que mais me resta, senão dizer-lhes:
Obrigado meu Pai, e obrigado minha Mãe.
Prometo viver a vida de um homem de verdade.
13 de janeiro de 1996
Ioséias C. teixeira.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
COMPREENDENDO OS DONS MINSTERIAIS - O PASTOR
TEXTO CHAVE
“E vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com ciência e com inteligência.”
Jeremias 3.15
VERDADE TEOLÓGICA
“Ser pastor é cuidar de pessoas que não te pertencem, mas que você pertence a elas.”
Pr. Ioséias
ESTUDO DE PREPARAÇÃO SEMANAL
►Segunda – Jo 10.1-11
Jesus, o Bom Pastor.
► Terça – Lc 10.16-20
Jesus transferiu a sua autoridade aos seus discípulos.
►Quarta – 1Tm 3.1-7
As qualificações para o ministério pastoral.
► Quinta – Tt 1.5-9
Exigências para o pastorado.
► Sexta – 1Co 4.1-4
O pastor, um mordomo.
► Sábado – 1Co 9.7-10
O pastor, um lavrador.
LEITURA BÍBLICA CONGREGACIONAL
João 10.1-5
1. NA VERDADE, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador.
2. Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das ovelhas.
3. A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora.
4. E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz;
5. Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.
ELUCIDAÇÃO TEXTUAL
No nosso texto base Jesus está ensinando a diferença fundamental entre o Bom Pastor, Ele, e o mercenário, Satanás. Esse discurso do mestre serve muito bem como base para a vida do bom pastor, que tem Jesus morando em seu coração, e o mau pastor, que é mercenário e vive insuflado pela síndrome de Lúcifer (desejo de autossuficiência).
INTRODUÇÃO
Você conhece o que a Escritura ensina acerca do ministério pastoral? Sabe qual deve ser o modelo de conduta de um autêntico pastor? Conhece as exigências bíblicas para se exercer esse ministério? E as figuras que a Bíblia usa para ilustrar o alcance e a seriedade do ministério pastoral?
Nossa lição abordará essas questões acerca do ministério de um pastor. Se você sabe alguma das respostas ou todas elas, participe acrescentando o seu conhecimento para o crescimento de todos. Se você não sabe nenhuma das respostas, participe contribuindo com suas perguntas inteligentes, pois perguntas caracterizam inteligência e não a falta dela.
Envolva-se. Cresça e permita que outros cresçam com a sua ajuda.
I – JESUS, O PADRÃO PERFEITO DO PASTOR.
Jesus é o paradigma de todo pastor verdadeiro e suas características devem ser absorvidas por aqueles que exercem o ministério da Palavra. Para isso, nos basearemos no texto do bom pastor (Jo 10) para a nossa avaliação do ministério pastoral.
O Senhor afirma que o Bom Pastor tem livre acesso ao aprisco das ovelhas (Jo 10.1,2), referindo-se assim à sua autoridade que, depois foi transferida à igreja (Lc 10.16-19).
Jesus continua seu ensino afirmando que o Bom Pastor guia as suas ovelhas com pala-vras e exemplo (Jo 10.7). Ele vive próximo delas e é conhecido por todas (Jo 10.3,4). Guia o rebanho para uma vida de bênção aqui e a vida eterna no porvir (Jo 10.4,10,17,28). O Mestre também ensina que o Bom Pastor é o exemplo moral das ovelhas e vai adiante delas (Jo 10.4), sendo plenamente leal ao rebanho e estando pronto para, inclusive, morrer por ele (Jo 10.11). Significando assim que o Bom Pastor garante a segurança do rebanho, agora e por toda a eternidade (Jo 10.27-30).
O modelo de Jesus é muito importante para todo pastor. Assim como Ele os pastores também têm que procurar instruir suas ovelhas através do conhecimento da Palavra e do exemplo de vida, estando sempre próximo a elas como um amigo sempre presente, guiando-as a toda verdade e fazendo-as sentirem-se seguras e confiantes, pois sabem que o seu líder as está guiando ao caminho da eternidade com Cristo.
Infelizmente muitos “pastores” hoje não passam de “homens do palco”. Seu “ministério” se restringe exclusivamente ao púlpito, onde ele faz suas performances e ganha por elas. O foco de tais homens está apenas na apresentação de uma “boa mensagem”, cheia de técnicas de oratória, e manipulação psicológica, mas não participam da vida de suas ovelhas e nunca estão acessíveis a elas. Esse não é o modelo de Jesus.
Se o ministro não segue o modelo de Jesus então ele não é pastor coisa nenhuma. Embora ninguém possa ser como o Senhor, o pastor deve ser o mais próximo possível do modelo de Cristo; sobretudo no que concerne ao amor pelas suas ovelhas e pelas almas perdidas.
II – O DOM PASTORAL.
O pastor é um dom de Deus à Igreja. Isto é, o pastor é um presente que Deus dá à igreja e como todo presente ele deve ser útil àquele que o recebe. Sendo assim, o verdadeiro pastor deverá ser possuidor de alguns dons espirituais para o serviço ao povo de Deus. Com certeza o pastor deve possuir o dom de governos, sendo esse um dom específico do seu ministério (1Co 12.28). Também deve ter o dom da fé, pois se o pastor não for um homem de fé como esperar que a igreja sob o seu pastoreio seja?
Além do que foi apresentado o pastor deve ser capaz de ensinar (1Tm 3.2b), embora nem todos os pastores sejam mestres (1Tm 5.17). Sobretudo, o pastor deve ser cheio de compaixão e simpatia e ser um homem que gosta da companhia das pessoas.
Além de tudo o que foi exposto acima as cartas de Paulo a Timóteo e a Tito, chamadas de cartas pastorais, apontam as qualificações exigidas daqueles que se propõe ao ministério pastoral. Entre uma variação e outra em cada carta a essência do ensino de Paulo é que o pastor deve ser um homem de auto-domínio (1Tm 3.1), liberto de vícios, pacífico e sem excessos (1Tm 3.3). Deve ainda governar bem a sua casa (1Tm 3.4,5), ter boa reputação dos não cristãos (1Tm 3.7), ser contrário à maledicência (2Tm 2.16), não ser ganancioso (Tt 1.7), viver em santificação (2Tm 2.21), ser forte na fé e mestre na mesma (1Tm 4.12), ter ousadia no ensino e ser cheio de amor e paciência (1Tm 6.11), ser perseverante (1Tm 4.16) e caracterizar-se por suas boas obras (Tt 2.7). Deve ser puro na doutrina (Tt 1.9; 2.8), de linguagem sadia (Tt 2.8) e reconhecido pela piedade (Tt 1.1) e não ser um crente novo, mas um cristão maduro (1Tm 3.6).
Como constatamos acima, as exigências para o exercício do ministério pastoral são elevadíssimas. Mas, o que esperar daqueles que devem ser os guias e modelos de conduta da igreja de Jesus (Hb 13.7)? Você teria como modelo de vida um homem que vivesse abaixo desses padrões? Confiaria suas lutas e angústias mais íntimas a alguém que não vivesse em conformidade com os padrões acima? Pediria sua ajuda e orientação?
Jesus ama muito a sua igreja para confiá-la a homens que não sejam dignos de tão honrosa posição.
Mas você poderá perguntar: “e os ditos ‘pastores’ que tantos males vêm promovendo à sociedade? Porque Jesus os permite à frente da igreja?”
Na verdade a questão é mais profunda e a pergunta correta é: “essa denominação exprime em sua doutrina a essência do Evangelho?” Se a resposta for sim, então cedo ou tarde, esse falso pastor será desmascarado. Se a resposta for não, então Jesus não tem nenhum compromisso com essa igreja e esses “pastores” e nenhum deles pertence ao rebanho de Cristo.
III – IMAGENS BÍBLICAS DO MINISTÉRIO PASTORAL.
Para que possamos compreender a grandeza da responsabilidade do ministério pastoral a Escritura usa algumas imagens que retratam o papel desses ministros de Cristo e que exploraremos aqui, ainda que brevemente, utilizando como base a excelente obra de Irland de Azevedo, Imagens Bíblicas do Ministério Pastoral.
A primeira das imagens bíblicas que Paulo utiliza e que citaremos aqui é a de mordomo (1Co 4.1,2; 2Tm 1.14; 2.1,2). O mordomo é aquele funcionário de confiança de um nobre. Esse funcionário tem sob sua responsabilidade todos os bens do seu senhor e deve administrá-los com afinco. Assim, o pastor é chamado de mordomo. Ele tem acesso ao precioso tesouro da dispensa de Deus para alimentar o seu povo. Paulo chama esse mordomo de “encarregado dos mistérios de Deus” (1Co 4.1).
A segunda imagem a ser explorada aqui é a do soldado (2Tm 2.3,4). O soldado é o homem preparado para sofrer privações e suportar o sofrimento. O pastor deve ser esse homem. Poucas pessoas provarão mais privações e enfrentarão mais sofrimento pelos outros do que o pastor. Ele também deve viver de forma disciplinada e estar sempre disposto para a ação. O soldado não se envolve com coisas da vida civil, assim o pastor também não deve se envolver com nada que comprometa o cumprimento de sua missão no Reino de Deus.
A terceira imagem utilizada pela Escritura é a do lavrador (1Co 9.7-10; 2Tm 2.6). Este profissional é diligente e perseverante em sua tarefa como o pastor deve ser em sua missão de semear o evangelho. Do mesmo modo como o lavrador não depende exclusivamente de suas capacidades para que sua lavoura seja farta, também o pastor não depende exclusivamente de suas capacidades para que a igreja seja uma bênção. O pastor entende que a “lavoura de Deus” (1Co 3.9) é uma obra de cooperação divino-humana e não vive em função do tamanho da igreja, se frustrando, pois sabe que a ele o que importa é ser fiel em sua semeadura da genuína semente da Escritura e que o crescimento já não é mais um problema seu, mas de Deus. Os pastores não serão avaliados pelo tamanho da igreja que pastorearam, mas por sua fidelidade e diligência em cuidar dessa igreja.
Outras imagens que não poderemos abordar aqui por uma questão de espaço são: o atleta (2Tm 2.5), o obreiro (2Tm 2.15), a mãe (1Ts 2.7,8), o pai (1Ts 2.9-12), o ministro (servo) (1Co 4.1), o construtor (1Co 3.10) e por fim, o pastor (Ef 4.11,12).
Essas imagens reforçam a importância e a seriedade do ministério pastoral. Se todos os que almejam ao pastorado (1Tm 3.10) e todos os ordenam ministros na igreja avaliassem bem o que essas imagens significam as igrejas teriam pastores muito melhores. Você concorda?
CONCLUSÃO
Tendo Jesus como o modelo do ministério pastoral é de suma importância que a igreja aprenda a honrar aqueles que o Senhor tem designado para tal ministério. Também é de igual importância que os pastores não abusem dessa honra visando privilégios, mas que vivam assim como o seu Modelo, Jesus, de forma modesta e sendo sempre acessíveis aos seus discípulos.
O pastor deve ser o homem em quem a igreja confia. Afinal, repousa sobre os seus ombros a missão de levar esse povo a uma vida com Deus nessa terra e à eternidade na glória celeste.
Oremos por nossos pastores para que a cada dia mais eles possam exercer os seus dons no seio da igreja levando-nos a um conhecimento cada vez maior do único e verdadeiro Deus.
GLOSSÁRIO
Afinco – constância, tenacidade, dedicação.
Paradigma – modelo, padrão.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia de Estudo Pentecostal, Edição de 1995, SBB e CPAD.
Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, R. N. Champlin e J. M. Bentes, Volume 5, pg. 105-106, Ed. Candeia.
Chave Linguística do Novo Testamento Grego, Edições Vida Nova, 1995, p. 393.
A Igreja e as Sete Colunas da Sabedoria, CPAD, Severino Pedro, 1998.
Teologia Pastoral, CPAD, José Deneval Mendes, 1999, p.28
Imagens Bíblicas do Ministério Pastoral, Vida, Irland de Azevedo, 2004, 142 pg.
Sites:
HTTP://WWW.PRAZERDAPALAVRA.COM.BR/
“E vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com ciência e com inteligência.”
Jeremias 3.15
VERDADE TEOLÓGICA
“Ser pastor é cuidar de pessoas que não te pertencem, mas que você pertence a elas.”
Pr. Ioséias
ESTUDO DE PREPARAÇÃO SEMANAL
►Segunda – Jo 10.1-11
Jesus, o Bom Pastor.
► Terça – Lc 10.16-20
Jesus transferiu a sua autoridade aos seus discípulos.
►Quarta – 1Tm 3.1-7
As qualificações para o ministério pastoral.
► Quinta – Tt 1.5-9
Exigências para o pastorado.
► Sexta – 1Co 4.1-4
O pastor, um mordomo.
► Sábado – 1Co 9.7-10
O pastor, um lavrador.
LEITURA BÍBLICA CONGREGACIONAL
João 10.1-5
1. NA VERDADE, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador.
2. Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das ovelhas.
3. A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora.
4. E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz;
5. Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.
ELUCIDAÇÃO TEXTUAL
No nosso texto base Jesus está ensinando a diferença fundamental entre o Bom Pastor, Ele, e o mercenário, Satanás. Esse discurso do mestre serve muito bem como base para a vida do bom pastor, que tem Jesus morando em seu coração, e o mau pastor, que é mercenário e vive insuflado pela síndrome de Lúcifer (desejo de autossuficiência).
INTRODUÇÃO
Você conhece o que a Escritura ensina acerca do ministério pastoral? Sabe qual deve ser o modelo de conduta de um autêntico pastor? Conhece as exigências bíblicas para se exercer esse ministério? E as figuras que a Bíblia usa para ilustrar o alcance e a seriedade do ministério pastoral?
Nossa lição abordará essas questões acerca do ministério de um pastor. Se você sabe alguma das respostas ou todas elas, participe acrescentando o seu conhecimento para o crescimento de todos. Se você não sabe nenhuma das respostas, participe contribuindo com suas perguntas inteligentes, pois perguntas caracterizam inteligência e não a falta dela.
Envolva-se. Cresça e permita que outros cresçam com a sua ajuda.
I – JESUS, O PADRÃO PERFEITO DO PASTOR.
Jesus é o paradigma de todo pastor verdadeiro e suas características devem ser absorvidas por aqueles que exercem o ministério da Palavra. Para isso, nos basearemos no texto do bom pastor (Jo 10) para a nossa avaliação do ministério pastoral.
O Senhor afirma que o Bom Pastor tem livre acesso ao aprisco das ovelhas (Jo 10.1,2), referindo-se assim à sua autoridade que, depois foi transferida à igreja (Lc 10.16-19).
Jesus continua seu ensino afirmando que o Bom Pastor guia as suas ovelhas com pala-vras e exemplo (Jo 10.7). Ele vive próximo delas e é conhecido por todas (Jo 10.3,4). Guia o rebanho para uma vida de bênção aqui e a vida eterna no porvir (Jo 10.4,10,17,28). O Mestre também ensina que o Bom Pastor é o exemplo moral das ovelhas e vai adiante delas (Jo 10.4), sendo plenamente leal ao rebanho e estando pronto para, inclusive, morrer por ele (Jo 10.11). Significando assim que o Bom Pastor garante a segurança do rebanho, agora e por toda a eternidade (Jo 10.27-30).
O modelo de Jesus é muito importante para todo pastor. Assim como Ele os pastores também têm que procurar instruir suas ovelhas através do conhecimento da Palavra e do exemplo de vida, estando sempre próximo a elas como um amigo sempre presente, guiando-as a toda verdade e fazendo-as sentirem-se seguras e confiantes, pois sabem que o seu líder as está guiando ao caminho da eternidade com Cristo.
Infelizmente muitos “pastores” hoje não passam de “homens do palco”. Seu “ministério” se restringe exclusivamente ao púlpito, onde ele faz suas performances e ganha por elas. O foco de tais homens está apenas na apresentação de uma “boa mensagem”, cheia de técnicas de oratória, e manipulação psicológica, mas não participam da vida de suas ovelhas e nunca estão acessíveis a elas. Esse não é o modelo de Jesus.
Se o ministro não segue o modelo de Jesus então ele não é pastor coisa nenhuma. Embora ninguém possa ser como o Senhor, o pastor deve ser o mais próximo possível do modelo de Cristo; sobretudo no que concerne ao amor pelas suas ovelhas e pelas almas perdidas.
II – O DOM PASTORAL.
O pastor é um dom de Deus à Igreja. Isto é, o pastor é um presente que Deus dá à igreja e como todo presente ele deve ser útil àquele que o recebe. Sendo assim, o verdadeiro pastor deverá ser possuidor de alguns dons espirituais para o serviço ao povo de Deus. Com certeza o pastor deve possuir o dom de governos, sendo esse um dom específico do seu ministério (1Co 12.28). Também deve ter o dom da fé, pois se o pastor não for um homem de fé como esperar que a igreja sob o seu pastoreio seja?
Além do que foi apresentado o pastor deve ser capaz de ensinar (1Tm 3.2b), embora nem todos os pastores sejam mestres (1Tm 5.17). Sobretudo, o pastor deve ser cheio de compaixão e simpatia e ser um homem que gosta da companhia das pessoas.
Além de tudo o que foi exposto acima as cartas de Paulo a Timóteo e a Tito, chamadas de cartas pastorais, apontam as qualificações exigidas daqueles que se propõe ao ministério pastoral. Entre uma variação e outra em cada carta a essência do ensino de Paulo é que o pastor deve ser um homem de auto-domínio (1Tm 3.1), liberto de vícios, pacífico e sem excessos (1Tm 3.3). Deve ainda governar bem a sua casa (1Tm 3.4,5), ter boa reputação dos não cristãos (1Tm 3.7), ser contrário à maledicência (2Tm 2.16), não ser ganancioso (Tt 1.7), viver em santificação (2Tm 2.21), ser forte na fé e mestre na mesma (1Tm 4.12), ter ousadia no ensino e ser cheio de amor e paciência (1Tm 6.11), ser perseverante (1Tm 4.16) e caracterizar-se por suas boas obras (Tt 2.7). Deve ser puro na doutrina (Tt 1.9; 2.8), de linguagem sadia (Tt 2.8) e reconhecido pela piedade (Tt 1.1) e não ser um crente novo, mas um cristão maduro (1Tm 3.6).
Como constatamos acima, as exigências para o exercício do ministério pastoral são elevadíssimas. Mas, o que esperar daqueles que devem ser os guias e modelos de conduta da igreja de Jesus (Hb 13.7)? Você teria como modelo de vida um homem que vivesse abaixo desses padrões? Confiaria suas lutas e angústias mais íntimas a alguém que não vivesse em conformidade com os padrões acima? Pediria sua ajuda e orientação?
Jesus ama muito a sua igreja para confiá-la a homens que não sejam dignos de tão honrosa posição.
Mas você poderá perguntar: “e os ditos ‘pastores’ que tantos males vêm promovendo à sociedade? Porque Jesus os permite à frente da igreja?”
Na verdade a questão é mais profunda e a pergunta correta é: “essa denominação exprime em sua doutrina a essência do Evangelho?” Se a resposta for sim, então cedo ou tarde, esse falso pastor será desmascarado. Se a resposta for não, então Jesus não tem nenhum compromisso com essa igreja e esses “pastores” e nenhum deles pertence ao rebanho de Cristo.
III – IMAGENS BÍBLICAS DO MINISTÉRIO PASTORAL.
Para que possamos compreender a grandeza da responsabilidade do ministério pastoral a Escritura usa algumas imagens que retratam o papel desses ministros de Cristo e que exploraremos aqui, ainda que brevemente, utilizando como base a excelente obra de Irland de Azevedo, Imagens Bíblicas do Ministério Pastoral.
A primeira das imagens bíblicas que Paulo utiliza e que citaremos aqui é a de mordomo (1Co 4.1,2; 2Tm 1.14; 2.1,2). O mordomo é aquele funcionário de confiança de um nobre. Esse funcionário tem sob sua responsabilidade todos os bens do seu senhor e deve administrá-los com afinco. Assim, o pastor é chamado de mordomo. Ele tem acesso ao precioso tesouro da dispensa de Deus para alimentar o seu povo. Paulo chama esse mordomo de “encarregado dos mistérios de Deus” (1Co 4.1).
A segunda imagem a ser explorada aqui é a do soldado (2Tm 2.3,4). O soldado é o homem preparado para sofrer privações e suportar o sofrimento. O pastor deve ser esse homem. Poucas pessoas provarão mais privações e enfrentarão mais sofrimento pelos outros do que o pastor. Ele também deve viver de forma disciplinada e estar sempre disposto para a ação. O soldado não se envolve com coisas da vida civil, assim o pastor também não deve se envolver com nada que comprometa o cumprimento de sua missão no Reino de Deus.
A terceira imagem utilizada pela Escritura é a do lavrador (1Co 9.7-10; 2Tm 2.6). Este profissional é diligente e perseverante em sua tarefa como o pastor deve ser em sua missão de semear o evangelho. Do mesmo modo como o lavrador não depende exclusivamente de suas capacidades para que sua lavoura seja farta, também o pastor não depende exclusivamente de suas capacidades para que a igreja seja uma bênção. O pastor entende que a “lavoura de Deus” (1Co 3.9) é uma obra de cooperação divino-humana e não vive em função do tamanho da igreja, se frustrando, pois sabe que a ele o que importa é ser fiel em sua semeadura da genuína semente da Escritura e que o crescimento já não é mais um problema seu, mas de Deus. Os pastores não serão avaliados pelo tamanho da igreja que pastorearam, mas por sua fidelidade e diligência em cuidar dessa igreja.
Outras imagens que não poderemos abordar aqui por uma questão de espaço são: o atleta (2Tm 2.5), o obreiro (2Tm 2.15), a mãe (1Ts 2.7,8), o pai (1Ts 2.9-12), o ministro (servo) (1Co 4.1), o construtor (1Co 3.10) e por fim, o pastor (Ef 4.11,12).
Essas imagens reforçam a importância e a seriedade do ministério pastoral. Se todos os que almejam ao pastorado (1Tm 3.10) e todos os ordenam ministros na igreja avaliassem bem o que essas imagens significam as igrejas teriam pastores muito melhores. Você concorda?
CONCLUSÃO
Tendo Jesus como o modelo do ministério pastoral é de suma importância que a igreja aprenda a honrar aqueles que o Senhor tem designado para tal ministério. Também é de igual importância que os pastores não abusem dessa honra visando privilégios, mas que vivam assim como o seu Modelo, Jesus, de forma modesta e sendo sempre acessíveis aos seus discípulos.
O pastor deve ser o homem em quem a igreja confia. Afinal, repousa sobre os seus ombros a missão de levar esse povo a uma vida com Deus nessa terra e à eternidade na glória celeste.
Oremos por nossos pastores para que a cada dia mais eles possam exercer os seus dons no seio da igreja levando-nos a um conhecimento cada vez maior do único e verdadeiro Deus.
GLOSSÁRIO
Afinco – constância, tenacidade, dedicação.
Paradigma – modelo, padrão.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia de Estudo Pentecostal, Edição de 1995, SBB e CPAD.
Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, R. N. Champlin e J. M. Bentes, Volume 5, pg. 105-106, Ed. Candeia.
Chave Linguística do Novo Testamento Grego, Edições Vida Nova, 1995, p. 393.
A Igreja e as Sete Colunas da Sabedoria, CPAD, Severino Pedro, 1998.
Teologia Pastoral, CPAD, José Deneval Mendes, 1999, p.28
Imagens Bíblicas do Ministério Pastoral, Vida, Irland de Azevedo, 2004, 142 pg.
Sites:
HTTP://WWW.PRAZERDAPALAVRA.COM.BR/
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Defendendo a fé com lógica e coerência.
Fazer apologética é função fundamental na vida de qualquer cristão autêntico, até porque somos constantemente desafiados em nossa fé.
Para que possamos defender a fé é preciso que usemos de violência na argumentação contra aqueles que nos questionam. Contudo essa violência não é referente ao nosso tom de voz ou gestos, mas à força do nosso argumento. Se não formos fortes em nosso argumento nossos oponentes não se darão conta do absurdo de sua posição.
Quando, por exemplo, alguém nos pergunta: "Se Deus existe e é bom, então por que há tanto mal na terra?" Muitos crentes são tentados a começar a responder sem avaliar a incoerência que essa pergunta contém e deixam o incrédulo com um sorriso no rosto como se a sua pergunta fosse a mais inteligente da história. Porém vejamos.
Em que o fato de haver diversos males na terra anula a existência e a bondade de Deus? O fato de um filho ser um bandido incorrigível anula a honradez e a honestidade do seu pai? Ou um filho que se torna homossexual anula a masculinidade do seu pai?
Na verdade, a pergunta acima não passa de uma tremenda idiotice sem nenhuma lógica.
Conta-se uma história em que um barbeiro cortava o cabelo de certo cliente e sabendo que ele era cristão lhe fez o seguinte comentário: "Sabe, enquanto eu vinha para cá vi muitas pessoas sofrendo, crianças abandonadas, famílias sem um teto, e males diversos; então concluí: se Deus existisse essas situações de sofrimento não seriam uma realidade". Depois de pensar um pouco o cliente cristão lhe respondeu: "Sabe, também cheguei a uma conclusão. Você não é barbeiro!" O homem ficou assustado e perguntou o por que de tal afirmação. O irmão lhe respondeu: "enquanto eu vinha para cá vi muitas pessoas cabeludas e barbudas e isso me fez pensar: esse homem não é barbeiro, senão essas pessoas não estariam assim". Então o homem assustado lhe retruca: "Ora, é claro que sou barbeiro! Se essas pessoas vierem até aqui eu farei a barba e o cabelo delas." Então o irmão chega onde queria e lhe afirma: "O problema do mal na terra segue o mesmo princípio. Se os homens se voltarem para Deus também terão suas vidas mudadas para melhor, mas enquanto estiverem distantes do Altíssimo é apenas o mal que sofrerão".
Embora a história acima possa lhe parecer simples ela ensina uma lição fundamental; imagine como seria o mundo se todos decidissem viver em conformidade com os ensinamentos do Senhor Jesus resumidos em seus dois mandamentos fundamentais: amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Responda a si mesmo, quantas mortes seriam promovidas por mãos humanas? Quantas crianças ou adultos passariam fome? Quantas famílias estariam sem casa? Quanta violência seria praticada?
A resposta a essas perguntas e a outras que poderíamos fazer seria uma só: nenhuma. Pois quem ama ao próximo não mata, não abandona e não agride, mas promove a vida, acolhe e protege.
A verdade é que a humanidade vai de mal a pior por desprezar a Deus e à sua vontade; inclusive muitos cristãos professos não cultivam essa realidade em suas vidas.
O mal na Terra não é uma questão da existência ou não de Deus e do seu caráter bom, mas do afastamento da humanidade desse bondoso Criador.
Pastor Ioséias.
Para que possamos defender a fé é preciso que usemos de violência na argumentação contra aqueles que nos questionam. Contudo essa violência não é referente ao nosso tom de voz ou gestos, mas à força do nosso argumento. Se não formos fortes em nosso argumento nossos oponentes não se darão conta do absurdo de sua posição.
Quando, por exemplo, alguém nos pergunta: "Se Deus existe e é bom, então por que há tanto mal na terra?" Muitos crentes são tentados a começar a responder sem avaliar a incoerência que essa pergunta contém e deixam o incrédulo com um sorriso no rosto como se a sua pergunta fosse a mais inteligente da história. Porém vejamos.
Em que o fato de haver diversos males na terra anula a existência e a bondade de Deus? O fato de um filho ser um bandido incorrigível anula a honradez e a honestidade do seu pai? Ou um filho que se torna homossexual anula a masculinidade do seu pai?
Na verdade, a pergunta acima não passa de uma tremenda idiotice sem nenhuma lógica.
Conta-se uma história em que um barbeiro cortava o cabelo de certo cliente e sabendo que ele era cristão lhe fez o seguinte comentário: "Sabe, enquanto eu vinha para cá vi muitas pessoas sofrendo, crianças abandonadas, famílias sem um teto, e males diversos; então concluí: se Deus existisse essas situações de sofrimento não seriam uma realidade". Depois de pensar um pouco o cliente cristão lhe respondeu: "Sabe, também cheguei a uma conclusão. Você não é barbeiro!" O homem ficou assustado e perguntou o por que de tal afirmação. O irmão lhe respondeu: "enquanto eu vinha para cá vi muitas pessoas cabeludas e barbudas e isso me fez pensar: esse homem não é barbeiro, senão essas pessoas não estariam assim". Então o homem assustado lhe retruca: "Ora, é claro que sou barbeiro! Se essas pessoas vierem até aqui eu farei a barba e o cabelo delas." Então o irmão chega onde queria e lhe afirma: "O problema do mal na terra segue o mesmo princípio. Se os homens se voltarem para Deus também terão suas vidas mudadas para melhor, mas enquanto estiverem distantes do Altíssimo é apenas o mal que sofrerão".
Embora a história acima possa lhe parecer simples ela ensina uma lição fundamental; imagine como seria o mundo se todos decidissem viver em conformidade com os ensinamentos do Senhor Jesus resumidos em seus dois mandamentos fundamentais: amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Responda a si mesmo, quantas mortes seriam promovidas por mãos humanas? Quantas crianças ou adultos passariam fome? Quantas famílias estariam sem casa? Quanta violência seria praticada?
A resposta a essas perguntas e a outras que poderíamos fazer seria uma só: nenhuma. Pois quem ama ao próximo não mata, não abandona e não agride, mas promove a vida, acolhe e protege.
A verdade é que a humanidade vai de mal a pior por desprezar a Deus e à sua vontade; inclusive muitos cristãos professos não cultivam essa realidade em suas vidas.
O mal na Terra não é uma questão da existência ou não de Deus e do seu caráter bom, mas do afastamento da humanidade desse bondoso Criador.
Pastor Ioséias.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
O Profeta e o dom da profecia
INTRODUÇÃO
Nesta lição vamos abordar um ministério fascinante no seio da igreja, o do profeta. Mas, se Jesus disse que os profetas duraram até João, então qual a explicação para o Novo Testamento falar sobre o dom da profecia e o ministério de profeta? Também, qual a diferença entre o dom da profecia e o ministério de profeta? Há alguma?
Esse é o escopo do presente estudo. Avaliar, ainda que muito superficialmente, o ministério do profeta da Antiga Aliança e a contemporaneidade do dom de profecia e do ministério de profeta na Nova Aliança.
Envolva-se e dê a sua colaboração para a discussão do tema a fim de que todos possam crescer em conhecimento.
I – O PROFETA NA ANTIGA ALIANCA.
O ministério profético sempre foi uma realidade para o povo de Israel. Abraão foi o primeiro homem a ser chamado de profeta na Escritura (Gn 20.7) enquanto Moisés foi o primeiro profeta nacional de Israel (Dt 18.15-19).
Os profetas da Antiga Aliança tinham algumas características peculiares à sua época. Durante o período do Antigo Testamento o cânon da Escritura ainda não estava completo e o Messias ainda não havia se encarnado para nossa salvação. Sendo assim, o ministério do profeta da Antiga Aliança era, além de representante do Senhor diante dos homens, também preditivo, ou seja, ele falava sobre coisas que apontavam para o Messias que viria para salvar a humanidade.
Embora o conteúdo das profecias tivessem uma aplicação e um sentido para os receptores originais, pois Deus estava falando com eles acerca das coisas e eventos dos seus dias, também havia nelas elementos que iam além da realidade daqueles ouvintes e que apontavam para o futuro, após a vinda do Messias.
Jesus disse que a Lei e os profetas duraram até João exatamente por causa disso (Lc 16.16). Após João Batista já não havia mais a necessidade de nenhum profeta que anunciasse a vinda do Messias. Ele já estava entre nós.
O ministério dos profetas na Antiga Aliança tinha como objetivo instruir o povo de Israel, através do ensino e admoestação do Senhor (Os 12.10; Hb 1.1), e anunciar a vinda do Messias, como Pedro ensina no seu discurso no Templo de Jerusalém após a cura de um coxo (At 3.18-24).
O ministério profético da Antiga Aliança durou até João, mas o Senhor não deixou de falar com a sua igreja por meio de profecias. Apenas o método e a finalidade foram mudados, como veremos a seguir no dom de profecia e no ministério de profeta na Nova Aliança.
II – O DOM DE PROFECIA.
Esse é o principal da lista dos dons espirituais que Paulo apresenta em 1 Coríntios 12 (1Co 14.1) e é a aptidão de, por inspiração do Espírito Santo, entregar uma mensagem que vai além daquela que é geral, mas que se aplica diretamente à vida da pessoa (ou grupo) que a recebe.
Pouco antes de ser preso em Jerusalém o apóstolo Paulo recebeu uma mensagem profética de um servo do Senhor, chamado Ágabo, que lhe revelava o que o esperava em Jerusalém (At 21.10,11). Essa mensagem era exclusiva para Paulo e não se aplicava a mais ninguém.
O profeta fala mediante um discernimento que ultrapassa o que é natural, através da revelação divina para aquele momento e aquela circunstância.
O dom de Profecia não pode ser confundido com o dom ministerial de profeta (Ef 4.11), que veremos a seguir, principalmente por sua característica temporal e pessoal. Isto é, o dom de profecia é exercido na igreja para que o Senhor exorte, console ou edifique (1Co 14.3) acerca das situações que aquele que recebe a mensagem está vivendo. O dom ministerial de Profeta (Ef 4.11), por sua vez, está circunscrito à categoria do ministério de ensinamento e proclamação da Palavra universal de Deus, que se aplica a todos as pessoas em todas as épocas e lugares.
Enquanto o que exerce o dom de profecia o faz no âmbito particular o que exerce o ministério de profeta o realiza no âmbito total, a todas as pessoas, cristãs ou não. Enquanto o dom de profecia visa a exortação, consolação e edificação de uma pessoa ou grupo especifico (1Co 14.3), o ministério profético visa a doutrina que realiza o aperfeiçoamento, a capacitação para o ministério e a edificação do Corpo de Cristo (Ef 4.12).
O dom de profecia é extremamente importante para nós, pois há momentos em que estamos fragilizados ou desorientados e o Senhor então nos envia um servo dEle e nos fala acerca daquilo que estamos vivendo e o que devemos fazer. Na verdade, a função do dom de profecia é, de fato, nos suprir em nossa fraqueza. É como se Deus nos desse um “suplemento alimentar” para que nossas forças sejam restabelecidas e assim possamos continuar a caminhada cristã.
Não despreze jamais o dom de profecia, mas não o supervalorize acima do ministério de profeta, pois ambos têm objetivos diferentes e devem ser honrados por nós como veremos agora em nosso último tópico de estudo.
III – O PROFETA NA NOVA ALIANCA.
O ministério de profeta na Nova Aliança difere do ministério da Antiga Aliança em muitos aspectos. Primeiro que ser profeta do AT era um oficio (profissão), enquanto que no NT um dom (Ef 4.8,11). Segundo que no AT Deus estava sobre o homem (2Re 2.9; 2 Cr 15.1; 2Cr 20.14; Is 61.1), no NT Deus está dentro do homem (1Co 6.19). Terceiro, o ofício de profeta do AT durou até João Batista (Lc 16.16) porque apontava para a vinda do Messias, Jesus; o ministério de profeta no NT anuncia o cumprimento das promessas do AT e aponta para o retorno do Messias para buscar o seu povo. O profeta do AT ministrava a Israel, o profeta do NT ministra à igreja em toda a Terra.
O ministério de Profeta (Ef 4.11), juntamente como os demais ministérios citados ali, visa alicerçar a igreja nas verdades basilares e universais da Eterna Palavra de Deus com o propósito de que todos “cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus” (Ef 4.13).
O profeta exerce o seu ministério na igreja interpretando a Escritura e proclamando as suas verdades eternas pelo poder do Espírito Santo.
O ministério de profeta hoje é comumente chamado de ministério da pregação, mas esse ministério vai além da simples proclamação daquilo que a Bíblia diz, pois é possível que alguém pregue a Bíblia sem crer ou viver em conformidade com ela.
O profeta pode ainda ser usado pelo Senhor para predizer coisas referentes ao futuro enquanto proclama a Palavra de Deus (At 20.29-31), mas deve, acima de tudo anunciar a justiça, a vontade do Senhor, o juízo futuro e ainda confrontar o pecado conforme a Escritura.
Quando alguma igreja rejeita os profetas do Altíssimo está rejeitando a Palavra do próprio Deus e assim se afastará cada dia mais dEle. Afinal, Bíblia é a suprema profecia e aquele que a expõe com submissão e graça é o seu profeta. “Se ao profeta não for permitido trazer a mensagem de repreensão e de advertência denunciando o pecado e a injustiça, então a igreja já não será o lugar onde se possa ouvir a voz do Espírito. A política eclesiástica e a direção humana tomarão o lugar do Espírito (2 Tm 3.1-9; 4.3-5; 2Pe 2.1-3, 12-22)” (site: gospelprime).
Jamais menospreze a palavra profética como nos exorta o apóstolo Paulo (1Ts 5.20), pois somente assim poderemos ser felizes (Pv 29.18).
CONCLUSÃO
O ministério do profeta sempre foi de suma importância para o povo de Deus. O Senhor criou esse ministério para que o seu povo não ficasse sem uma direção e orientação.
A igreja deve sempre ter os seus ouvidos atentos àqueles que proclamam com ousadia e autoridade a Palavra do Senhor de forma pura, sem misturas com conceitos, ideologias ou políticas humanas.
Valorize os profetas de Deus na Casa do Senhor, mas não os adore. Não fique andando atrás deles, pois quando o Senhor quiser lhe falar Ele os enviará a você.
Jamais despreze as profecias, quer sejam mediante o dom da profecia, quer sejam mediante o ministério profético de pregação da Palavra, pois “Não havendo profecia, o povo se corrompe; mas o que guarda a lei esse é bem-aventurado” (Pv 29.18).
Que o Senhor nos abençoe.
GLOSSÁRIO
Basilares – básicas, fundamentais, principais.
Escopo – alvo, objetivo, meta.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia de Estudo Pentecostal, Edição de 1995, SBB e CPAD.
Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, R. N. Champlin e J. M. Bentes, Volume 1, pg. 239-243, Ed. Candeia,
HTTP://ESTUDOS.GOSPELPRIME.COM.BR/O-DOM-MINISTERIAL-E-DOM-DE-PROFECIA/
Nesta lição vamos abordar um ministério fascinante no seio da igreja, o do profeta. Mas, se Jesus disse que os profetas duraram até João, então qual a explicação para o Novo Testamento falar sobre o dom da profecia e o ministério de profeta? Também, qual a diferença entre o dom da profecia e o ministério de profeta? Há alguma?
Esse é o escopo do presente estudo. Avaliar, ainda que muito superficialmente, o ministério do profeta da Antiga Aliança e a contemporaneidade do dom de profecia e do ministério de profeta na Nova Aliança.
Envolva-se e dê a sua colaboração para a discussão do tema a fim de que todos possam crescer em conhecimento.
I – O PROFETA NA ANTIGA ALIANCA.
O ministério profético sempre foi uma realidade para o povo de Israel. Abraão foi o primeiro homem a ser chamado de profeta na Escritura (Gn 20.7) enquanto Moisés foi o primeiro profeta nacional de Israel (Dt 18.15-19).
Os profetas da Antiga Aliança tinham algumas características peculiares à sua época. Durante o período do Antigo Testamento o cânon da Escritura ainda não estava completo e o Messias ainda não havia se encarnado para nossa salvação. Sendo assim, o ministério do profeta da Antiga Aliança era, além de representante do Senhor diante dos homens, também preditivo, ou seja, ele falava sobre coisas que apontavam para o Messias que viria para salvar a humanidade.
Embora o conteúdo das profecias tivessem uma aplicação e um sentido para os receptores originais, pois Deus estava falando com eles acerca das coisas e eventos dos seus dias, também havia nelas elementos que iam além da realidade daqueles ouvintes e que apontavam para o futuro, após a vinda do Messias.
Jesus disse que a Lei e os profetas duraram até João exatamente por causa disso (Lc 16.16). Após João Batista já não havia mais a necessidade de nenhum profeta que anunciasse a vinda do Messias. Ele já estava entre nós.
O ministério dos profetas na Antiga Aliança tinha como objetivo instruir o povo de Israel, através do ensino e admoestação do Senhor (Os 12.10; Hb 1.1), e anunciar a vinda do Messias, como Pedro ensina no seu discurso no Templo de Jerusalém após a cura de um coxo (At 3.18-24).
O ministério profético da Antiga Aliança durou até João, mas o Senhor não deixou de falar com a sua igreja por meio de profecias. Apenas o método e a finalidade foram mudados, como veremos a seguir no dom de profecia e no ministério de profeta na Nova Aliança.
II – O DOM DE PROFECIA.
Esse é o principal da lista dos dons espirituais que Paulo apresenta em 1 Coríntios 12 (1Co 14.1) e é a aptidão de, por inspiração do Espírito Santo, entregar uma mensagem que vai além daquela que é geral, mas que se aplica diretamente à vida da pessoa (ou grupo) que a recebe.
Pouco antes de ser preso em Jerusalém o apóstolo Paulo recebeu uma mensagem profética de um servo do Senhor, chamado Ágabo, que lhe revelava o que o esperava em Jerusalém (At 21.10,11). Essa mensagem era exclusiva para Paulo e não se aplicava a mais ninguém.
O profeta fala mediante um discernimento que ultrapassa o que é natural, através da revelação divina para aquele momento e aquela circunstância.
O dom de Profecia não pode ser confundido com o dom ministerial de profeta (Ef 4.11), que veremos a seguir, principalmente por sua característica temporal e pessoal. Isto é, o dom de profecia é exercido na igreja para que o Senhor exorte, console ou edifique (1Co 14.3) acerca das situações que aquele que recebe a mensagem está vivendo. O dom ministerial de Profeta (Ef 4.11), por sua vez, está circunscrito à categoria do ministério de ensinamento e proclamação da Palavra universal de Deus, que se aplica a todos as pessoas em todas as épocas e lugares.
Enquanto o que exerce o dom de profecia o faz no âmbito particular o que exerce o ministério de profeta o realiza no âmbito total, a todas as pessoas, cristãs ou não. Enquanto o dom de profecia visa a exortação, consolação e edificação de uma pessoa ou grupo especifico (1Co 14.3), o ministério profético visa a doutrina que realiza o aperfeiçoamento, a capacitação para o ministério e a edificação do Corpo de Cristo (Ef 4.12).
O dom de profecia é extremamente importante para nós, pois há momentos em que estamos fragilizados ou desorientados e o Senhor então nos envia um servo dEle e nos fala acerca daquilo que estamos vivendo e o que devemos fazer. Na verdade, a função do dom de profecia é, de fato, nos suprir em nossa fraqueza. É como se Deus nos desse um “suplemento alimentar” para que nossas forças sejam restabelecidas e assim possamos continuar a caminhada cristã.
Não despreze jamais o dom de profecia, mas não o supervalorize acima do ministério de profeta, pois ambos têm objetivos diferentes e devem ser honrados por nós como veremos agora em nosso último tópico de estudo.
III – O PROFETA NA NOVA ALIANCA.
O ministério de profeta na Nova Aliança difere do ministério da Antiga Aliança em muitos aspectos. Primeiro que ser profeta do AT era um oficio (profissão), enquanto que no NT um dom (Ef 4.8,11). Segundo que no AT Deus estava sobre o homem (2Re 2.9; 2 Cr 15.1; 2Cr 20.14; Is 61.1), no NT Deus está dentro do homem (1Co 6.19). Terceiro, o ofício de profeta do AT durou até João Batista (Lc 16.16) porque apontava para a vinda do Messias, Jesus; o ministério de profeta no NT anuncia o cumprimento das promessas do AT e aponta para o retorno do Messias para buscar o seu povo. O profeta do AT ministrava a Israel, o profeta do NT ministra à igreja em toda a Terra.
O ministério de Profeta (Ef 4.11), juntamente como os demais ministérios citados ali, visa alicerçar a igreja nas verdades basilares e universais da Eterna Palavra de Deus com o propósito de que todos “cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus” (Ef 4.13).
O profeta exerce o seu ministério na igreja interpretando a Escritura e proclamando as suas verdades eternas pelo poder do Espírito Santo.
O ministério de profeta hoje é comumente chamado de ministério da pregação, mas esse ministério vai além da simples proclamação daquilo que a Bíblia diz, pois é possível que alguém pregue a Bíblia sem crer ou viver em conformidade com ela.
O profeta pode ainda ser usado pelo Senhor para predizer coisas referentes ao futuro enquanto proclama a Palavra de Deus (At 20.29-31), mas deve, acima de tudo anunciar a justiça, a vontade do Senhor, o juízo futuro e ainda confrontar o pecado conforme a Escritura.
Quando alguma igreja rejeita os profetas do Altíssimo está rejeitando a Palavra do próprio Deus e assim se afastará cada dia mais dEle. Afinal, Bíblia é a suprema profecia e aquele que a expõe com submissão e graça é o seu profeta. “Se ao profeta não for permitido trazer a mensagem de repreensão e de advertência denunciando o pecado e a injustiça, então a igreja já não será o lugar onde se possa ouvir a voz do Espírito. A política eclesiástica e a direção humana tomarão o lugar do Espírito (2 Tm 3.1-9; 4.3-5; 2Pe 2.1-3, 12-22)” (site: gospelprime).
Jamais menospreze a palavra profética como nos exorta o apóstolo Paulo (1Ts 5.20), pois somente assim poderemos ser felizes (Pv 29.18).
CONCLUSÃO
O ministério do profeta sempre foi de suma importância para o povo de Deus. O Senhor criou esse ministério para que o seu povo não ficasse sem uma direção e orientação.
A igreja deve sempre ter os seus ouvidos atentos àqueles que proclamam com ousadia e autoridade a Palavra do Senhor de forma pura, sem misturas com conceitos, ideologias ou políticas humanas.
Valorize os profetas de Deus na Casa do Senhor, mas não os adore. Não fique andando atrás deles, pois quando o Senhor quiser lhe falar Ele os enviará a você.
Jamais despreze as profecias, quer sejam mediante o dom da profecia, quer sejam mediante o ministério profético de pregação da Palavra, pois “Não havendo profecia, o povo se corrompe; mas o que guarda a lei esse é bem-aventurado” (Pv 29.18).
Que o Senhor nos abençoe.
GLOSSÁRIO
Basilares – básicas, fundamentais, principais.
Escopo – alvo, objetivo, meta.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia de Estudo Pentecostal, Edição de 1995, SBB e CPAD.
Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, R. N. Champlin e J. M. Bentes, Volume 1, pg. 239-243, Ed. Candeia,
HTTP://ESTUDOS.GOSPELPRIME.COM.BR/O-DOM-MINISTERIAL-E-DOM-DE-PROFECIA/
terça-feira, 2 de novembro de 2010
A Apologética dos Milagres
A Questão dos Milagres Hoje
Sempre se levanta a questão se a igreja moderna pode desfrutar do mesmo poder de realizar milagres como ocorria no início do NT. Deve-se considerar que Deus é onipotente e pode capacitar os seus para realizar milagres hoje. Apesar de estar claro pela história que Deus parou de operar através de “sinais” no final do NT, os milagres continuam acontecendo. Ocorrências bem comprovadas de curas milagrosas aconteceram e continuam acontecendo em nossos dias. Entre o povo das tribos, estes milagres serviram para comprovar a mensagem e o mensageiro, em sua primeira apresentação do Evangelho. Naquelas mesmas tribos os milagres aparentemente não ocorreram com tanta freqüência depois que a igreja se estabeleceu. Isto não significa que os milagres não ocorreram ou não ocorrerão sob outras condições.
O dom de realizar certos tipos de milagres está sempre relacionado à condição espiritual da igreja, e é confirmado que se a igreja dos nossos dias fosse mais espiritual, ela poderia exercer os dons como fez a igreja do primeiro século. Veja, entretanto, que a igreja de Corinto estava exercendo os preciosos dons, mesmo vivendo em uma condição carnal. Além disso, 1 Coríntios 12 deixa claro que nem todos recebem do precioso Espírito os mesmos dons, mas são dados dons variados aos diferentes membros do Corpo de Cristo. Aparentemente, os dons são concedidos de acordo com a soberana vontade de Deus, e não necessariamente de acordo com a espiritualidade do vaso (veja Dons Espirituais). Deve-se lembrar que alguns dos homens mais espirituais na Bíblia Sagrada - como, por exemplo, Abraão e João Batista (que foi cheio do Espírito desde o ventre materno) - não realizaram milagres. E o apóstolo Paulo nem sempre realizou milagres; lembre-se de que ele deixou Trófimo doente em Mileto.
Fica claro pelas Escrituras, que a realização dos milagres apostólicos em geral está relacionada a um programa ou cronograma Divino. Pode muito bem ser que alguma outra grande manifestação de milagres ocorra nos últimos dias antes da volta de Cristo. No Sermão do Monte das Oliveiras, o Senhor Jesus Cristo profetizou que falsos profetas e cristos realizariam milagres, e seriam tão astutos que, se fosse possível, enganariam até os próprios escolhidos (Mt 24.24). Outras indicações semelhantes podem ser encontradas em 2 Tessalonicenses 2.9 e Apocalipse 13.12-15 (cf Mt 7.21-23). Se no plano de Deus as falsas operações de milagres deverão ser neutralizadas, podemos presumir que Deus permitirá aos crentes uma nova demonstração apostólica de sinais Divinos e maravilhas com esta finalidade específica.
Jamais nos esqueçamos de que o Senhor é o mesmo ontem, hoje e eternamente, e assim busquemos, recebamos e desfrutemos os seus milagres hoje.
Fontes Não-Cristãs de Poder para Operar Milagres
Já observamos que, no final dos tempos, os milagres serão realizados pelo poder demoníaco. Podemos presumir que o trabalho de Simão, o mágico; e Elimas, o encantador, deveriam ser classificados na mesma categoria (At 8.9-24; 13.6-12), assim como no caso dos mágicos egípcios que competiram com Moisés (Êx 7–8). Para uma discussão sobre esse assunto veja a obra de M F. Unger, Biblical Demonology.
Sempre se levanta a questão se a igreja moderna pode desfrutar do mesmo poder de realizar milagres como ocorria no início do NT. Deve-se considerar que Deus é onipotente e pode capacitar os seus para realizar milagres hoje. Apesar de estar claro pela história que Deus parou de operar através de “sinais” no final do NT, os milagres continuam acontecendo. Ocorrências bem comprovadas de curas milagrosas aconteceram e continuam acontecendo em nossos dias. Entre o povo das tribos, estes milagres serviram para comprovar a mensagem e o mensageiro, em sua primeira apresentação do Evangelho. Naquelas mesmas tribos os milagres aparentemente não ocorreram com tanta freqüência depois que a igreja se estabeleceu. Isto não significa que os milagres não ocorreram ou não ocorrerão sob outras condições.
O dom de realizar certos tipos de milagres está sempre relacionado à condição espiritual da igreja, e é confirmado que se a igreja dos nossos dias fosse mais espiritual, ela poderia exercer os dons como fez a igreja do primeiro século. Veja, entretanto, que a igreja de Corinto estava exercendo os preciosos dons, mesmo vivendo em uma condição carnal. Além disso, 1 Coríntios 12 deixa claro que nem todos recebem do precioso Espírito os mesmos dons, mas são dados dons variados aos diferentes membros do Corpo de Cristo. Aparentemente, os dons são concedidos de acordo com a soberana vontade de Deus, e não necessariamente de acordo com a espiritualidade do vaso (veja Dons Espirituais). Deve-se lembrar que alguns dos homens mais espirituais na Bíblia Sagrada - como, por exemplo, Abraão e João Batista (que foi cheio do Espírito desde o ventre materno) - não realizaram milagres. E o apóstolo Paulo nem sempre realizou milagres; lembre-se de que ele deixou Trófimo doente em Mileto.
Fica claro pelas Escrituras, que a realização dos milagres apostólicos em geral está relacionada a um programa ou cronograma Divino. Pode muito bem ser que alguma outra grande manifestação de milagres ocorra nos últimos dias antes da volta de Cristo. No Sermão do Monte das Oliveiras, o Senhor Jesus Cristo profetizou que falsos profetas e cristos realizariam milagres, e seriam tão astutos que, se fosse possível, enganariam até os próprios escolhidos (Mt 24.24). Outras indicações semelhantes podem ser encontradas em 2 Tessalonicenses 2.9 e Apocalipse 13.12-15 (cf Mt 7.21-23). Se no plano de Deus as falsas operações de milagres deverão ser neutralizadas, podemos presumir que Deus permitirá aos crentes uma nova demonstração apostólica de sinais Divinos e maravilhas com esta finalidade específica.
Jamais nos esqueçamos de que o Senhor é o mesmo ontem, hoje e eternamente, e assim busquemos, recebamos e desfrutemos os seus milagres hoje.
Fontes Não-Cristãs de Poder para Operar Milagres
Já observamos que, no final dos tempos, os milagres serão realizados pelo poder demoníaco. Podemos presumir que o trabalho de Simão, o mágico; e Elimas, o encantador, deveriam ser classificados na mesma categoria (At 8.9-24; 13.6-12), assim como no caso dos mágicos egípcios que competiram com Moisés (Êx 7–8). Para uma discussão sobre esse assunto veja a obra de M F. Unger, Biblical Demonology.
sábado, 16 de outubro de 2010
Matéria de Apologética
A Plausibilidade dos Milagres
O homem que vive na época da ciência tem dificuldade de aceitar os milagres. Desde o início da nossa época de escola, ficamos impressionados com a lei natural - com a constância ou uniformidade das operações do universo. Quando crescemos e começamos a desenvolver um mundo e uma visão da vida por nós mesmos, um conflito surge entre este ponto de vista sobre a natureza e o sobrenatural. Como podemos resolver esta questão? Podemos aceitar os milagres?
O fundamento para a solução de qualquer problema desta natureza é uma visão adequada de Deus. Uma forma de começar a chegar a este conceito é através de argumentos filosóficos para a existência e a natureza de Deus.
a) Argumento Ontológico. O primeiro deles é o argumento ontológico, aquele que simplesmente afirma e argumenta que o homem tem dentro de si a idéia de um ser perfeito. Se este ser é perfeito, ele deve existir porque a perfeição inclui existência. Alguns filósofos alegam que é impossível discutir a existência real a partir de um pensamento abstrato; mas Hegel, dentre outros, sentiu que o onto-lógico era o argumento supremo para a existência de Deus.
b) Argumento Moral. Kant, por outro lado, acreditava que o argumento moral era o mais importante. Começando com o “deve” ou com um imperativo categórico no homem, ele defendia a existência de um ser que tinha o direito absoluto de comandar o homem - um legislador e juiz. Outros expressam este argumento de forma diferente, e sustentam que a ampla divergência entre a conduta do homem e sua presente prosperidade requer um acerto de contas no futuro, o que por sua vez requer um juiz absolutamente justo. Contudo, alguns que utilizam o argumento moral enfatizam que a alma ou o espírito religioso no homem exige um objeto pessoal que seja infinito, ético e que possa ser conhecido.
c) Argumento Cosmológico. Um terceiro argumento é chamado cosmológico ou argumento da casu-alidade. Cada parte do universo é dependente de algo. Nem mesmo o universo é eterno, mas é um acontecimento, e por isso deve ter uma causa. O argumento retorna através da relação de causa e efeito à causa que não foi induzida, e Àquele que é auto-existente. Ao pensarmos na causa do univer-so, concluímos que: (1) seja qual for a sua causa, o universo é algo real; (2) o próprio universo é uma grande causa que pode ser infinita; (3) esta causa deve ser livre ou autodeterminada; (4) deve ser uma causa única ou unificada; se existissem muitos deuses, eles estariam necessariamente trabalhando juntos.
d) Argumento Teológico. Um quarto argumento é o teológico. Há uma ordem, um ajuste, e um pro-jeto visível em todos os lugares no universo. Existe a evidência de um projetista do universo. A partir deste argumento, podemos concluir que: (1) este Criador deve ter um grande poder; (2) Ele deve ter grande inteligência; (3) a partir de uma inteligência tão grande, podemos concluir que este Glorioso Ser possui a sua personalidade e autoconsciência. Através de uma cuidadosa consideração, podemos ir mais além nestes argumentos teístas chegando a uma possibilidade, a uma probabilidade, e até mesmo a uma alta probabilidade de um teísmo total: uma crença em um Deus pessoal, sobrenatural, e onipotente. Embora possamos chegar a certezas morais, não poderíamos chegar à verdadeira certeza intelectual sem restar nenhuma dúvida intelectual por parte do indivíduo. A certeza intelectual a respeito de um Deus pessoal e ético só pode ser alcançada através dos fatos da revelação cristã, e, de forma conclusiva, apenas através de uma experiência interior com Deus. Não é razoável concluir que o onipotente projetista do universo não teria poder para revelar a si mesmo, ou que não teria interesse em se revelar às suas criaturas (isto é, através da Palavra escrita, a Palavra Viva). Uma vez que admi-timos a existência de Deus, não podemos negar a sua atividade sobrenatural no universo, no tempo e no espaço. Boettner comenta. “Se a oposição ao sobrenatural for realizada de forma consistente, ela não pode apenas negar os milagres, mas deve levar a pessoa diretamente ao agnosticismo ou ao ate-ísmo. A pior e mais acentuada inconsistência para o modernista é admitir a existência de Deus e, contudo, negar os milagres registrados nas Escrituras, por considerar que estes se opõem à lei natural. Uma pequena reflexão deveria convencer qualquer um de que uma concepção teística do universo como um todo coloca em risco a crença nos milagres” (Loraine Boettner. Studies in Theology, p. 53). Porém muitos encontram pouca ou nenhuma ajuda nos argumentos teístas para o estabelecimento dos milagres. Então considere uma outra abordagem. olhe as próprias leis da natureza. O que elas são? Será que elas impedem a possibilidade dos milagres? Quanto ao caráter das leis da natureza, Boettner observa. “Elas não são por si só forças na natureza, mas simplesmente declarações gerais do modo como estas forças atuam, de maneira que possamos ser capazes de observá-las. Elas não são forças que governam toda a natureza forçando a obediência, mas sim meras abstrações sem uma existência concreta no mundo real” (ibid., p. 61). Nesse mesmo ponto, C. S Lewis conclui. “Temos o hábito de falar como se as leis da natureza induzissem os acontecimentos; mas estes nunca foram induzidos... E estas leis não induzem; elas ditam o padrão a que cada acontecimento – se é isto que está sendo considerado como indução - deve se adequar, assim como as regras da aritmética definem o padrão a que todas as transações com dinheiro devem se adequar – se houver algum dinheiro. Assim, por um lado, as leis da natureza cobrem todo o campo do tempo e do espaço; e, por outro, o que elas deixam de fora é precisamente o universo real e inteiro - uma torrente incessante de eventos que fazem a verdadeira história. Isto deve vir de algum outro lugar. Pensar que as leis podem produzir, é como pensar que você pode criar dinheiro verdadeiro apenas fazendo contas” (Lewis, op. cit., p. 71). Então deve ficar claro que as leis da natureza são meramente observações da uniformidade ou da constância na natureza. Elas não são forças que dão início à ação. Elas simplesmente descrevem a forma como a natureza se comporta – quando o seu curso não é afetado por um poder superior. No plano humano, observamos uma constante introdução de novos fatores ou forças para interferirem no curso normal da natureza. É contrário às leis da natureza, imensos navios de aço flutuarem, ou aeronaves pesando toneladas voarem. Outros fatores têm sido introduzidos. De acordo com as leis da natureza, produtos químicos misturados em certas quantidades produzirão um composto benéfico para o homem. Se outra força, como o calor ou outro produto químico for introduzido, o resultado pode ser uma explosão ou um veneno mortal. O homem está constantemente realizando “milagres” à medida que interfere na natureza. Milhares de suas invenções aparentemente violam as leis da natureza. Será que Deus é menos do que o homem? Lewis chegou a uma boa conclusão. “Quanto mais certos estivermos da lei, mais claramente saberemos que se novos fatores forem introduzidos, o resultado variará. O que não sabemos, como cientistas, é se o poder sobrenatural pode ser um desses fatores... O milagre é, sob o ponto de vista do cientista, uma forma de tratar, e até mesmo de falsificar (como alguns preferem), ou mesmo de trapacear. Ele introduz um novo fator na situação, ou seja, a força sobrenatural que o cientista não tinha avaliado” (ibid., pp. 70-71). Não precisaria haver um conflito básico entre ciência e religião. “A ciência... para a maioria agora, mostrou claramente que procurar descrever uma ordem na natureza não implica em negar um fundamento da natureza” (C. J. Wright, Miracle in History and in Modern Thought, p. 178). Há uma tendência crescente de se reconhecer que a ciência é uma coisa e a religião é outra. A ciência procura descrever o fenômeno e desenvolver novas invenções no mundo físico. Ela tenta responder à pergunta “Como?” A religião procura descrever o fenômeno e ampliar os horizontes no mundo espiritual. Ela busca as razões que estão por trás do fenômeno. Ela se esforça para responder à pergunta “Por quê? A ciência e a religião podem se harmonizar através de uma abordagem inteligente do problema. Fica claro que uma harmonização é possível pelo fato de muitos cientistas proeminentes em nossos dias serem totalmente sobrenaturalistas – crentes em milagres. A dificuldade vem quando os homens “agem sob a hipótese de que os milagres são algo impossível de acontecer”. Assim, uma visão ateísta de mundo se torna o critério da história. Ao invés de examinar o mundo para obter uma visão de mundo, os incrédulos usam as suas visões de mundo para tentar construir a história do mundo, e a história que eles construíram é autocontraditória” (Gordon H. Clark, “The Ressurrection”, Christianity Today, 15 de abril de 1957, p. 19). Uma defesa dos milagres no final do séc. XX requer um entendimento da opinião e do pensamento moderno. Por algum tempo houve uma tendência de abandonar a posição extrema de uma negação dos milagres. Na virada do século, Adolf Harnack, um grande liberal, escreveu. “Muito do que foi rejeitado anteriormente tem sido re-estabelecido sob uma investigação mais profunda, e à luz da experiência geral. Quem hoje, por exemplo, poderia desprezar ou escrever apenas resumidamente a respeito da obra de curas miraculosas como aquelas que são descritas nos Evangelhos, como faziam os eruditos de antigamente?” (Adolf Harnack, Christianity and History, p. 63). Desde a sua época, estabeleceu-se uma tendência ainda maior nessa direção. O antigo liberalismo não tinha uma mensagem para o mundo que estava convulsionado e chocado devido a duas guerras mundiais, a corrida das armas nucleares, as guerras frias e quentes entre o Ocidente e o Oriente, os constantes conflitos no Oriente Médio, e os desafios da era espacial. Gradualmente, os baluartes do antigo liberalismo desmoronaram diante dos mundos em colisão, e dos ataques da neo-ortodoxia ou do neo-supernaturalismo. A lei da relatividade de Einstein, e outros fatores, modificaram o antigo conceito Newtoniano do universo, e outras variáveis foram introduzidas, o que abriu a porta para um retorno à posição conservadora sobre os milagres. Isto não significa que o mundo esteja sendo convertido a um cristianismo conservador, mas que a crença em milagres tem sido muito mais intelectualmente respeitada do que costumava ser. Podemos então concluir que uma crença nos milagres não é apenas plausível nos nossos dias, mas que é a única esperança para uma humanidade presa no redemoinho do poder político e de uma iminente guerra atômica. Sem o elemento miraculoso, o cristianismo não teria uma mensagem e nem um consolo para a nossa era. Um Jesus que é simplesmente um mártir da verdade, um príncipe dos filantropos, um modelo de professores éticos, não poderia apresentar aos homens mais do que um idealismo conhecido e desgastado. A única resposta para os mares agitados da vida é um Salvador que possa dizer, “Cala-te, aquieta-te” (Mc 4.39). A única esperança para a vitória sobre o poder de Satanás, é Aquele que os demônios reconhecem e obedecem. A única esperança para o corpo nesta vida e na próxima reside naquele que é o Senhor da vida e da morte. A única esperança para a alma descansa naquele que morreu pelos nossos pecados, ressuscitou e ainda vive para interceder por nós.
O homem que vive na época da ciência tem dificuldade de aceitar os milagres. Desde o início da nossa época de escola, ficamos impressionados com a lei natural - com a constância ou uniformidade das operações do universo. Quando crescemos e começamos a desenvolver um mundo e uma visão da vida por nós mesmos, um conflito surge entre este ponto de vista sobre a natureza e o sobrenatural. Como podemos resolver esta questão? Podemos aceitar os milagres?
O fundamento para a solução de qualquer problema desta natureza é uma visão adequada de Deus. Uma forma de começar a chegar a este conceito é através de argumentos filosóficos para a existência e a natureza de Deus.
a) Argumento Ontológico. O primeiro deles é o argumento ontológico, aquele que simplesmente afirma e argumenta que o homem tem dentro de si a idéia de um ser perfeito. Se este ser é perfeito, ele deve existir porque a perfeição inclui existência. Alguns filósofos alegam que é impossível discutir a existência real a partir de um pensamento abstrato; mas Hegel, dentre outros, sentiu que o onto-lógico era o argumento supremo para a existência de Deus.
b) Argumento Moral. Kant, por outro lado, acreditava que o argumento moral era o mais importante. Começando com o “deve” ou com um imperativo categórico no homem, ele defendia a existência de um ser que tinha o direito absoluto de comandar o homem - um legislador e juiz. Outros expressam este argumento de forma diferente, e sustentam que a ampla divergência entre a conduta do homem e sua presente prosperidade requer um acerto de contas no futuro, o que por sua vez requer um juiz absolutamente justo. Contudo, alguns que utilizam o argumento moral enfatizam que a alma ou o espírito religioso no homem exige um objeto pessoal que seja infinito, ético e que possa ser conhecido.
c) Argumento Cosmológico. Um terceiro argumento é chamado cosmológico ou argumento da casu-alidade. Cada parte do universo é dependente de algo. Nem mesmo o universo é eterno, mas é um acontecimento, e por isso deve ter uma causa. O argumento retorna através da relação de causa e efeito à causa que não foi induzida, e Àquele que é auto-existente. Ao pensarmos na causa do univer-so, concluímos que: (1) seja qual for a sua causa, o universo é algo real; (2) o próprio universo é uma grande causa que pode ser infinita; (3) esta causa deve ser livre ou autodeterminada; (4) deve ser uma causa única ou unificada; se existissem muitos deuses, eles estariam necessariamente trabalhando juntos.
d) Argumento Teológico. Um quarto argumento é o teológico. Há uma ordem, um ajuste, e um pro-jeto visível em todos os lugares no universo. Existe a evidência de um projetista do universo. A partir deste argumento, podemos concluir que: (1) este Criador deve ter um grande poder; (2) Ele deve ter grande inteligência; (3) a partir de uma inteligência tão grande, podemos concluir que este Glorioso Ser possui a sua personalidade e autoconsciência. Através de uma cuidadosa consideração, podemos ir mais além nestes argumentos teístas chegando a uma possibilidade, a uma probabilidade, e até mesmo a uma alta probabilidade de um teísmo total: uma crença em um Deus pessoal, sobrenatural, e onipotente. Embora possamos chegar a certezas morais, não poderíamos chegar à verdadeira certeza intelectual sem restar nenhuma dúvida intelectual por parte do indivíduo. A certeza intelectual a respeito de um Deus pessoal e ético só pode ser alcançada através dos fatos da revelação cristã, e, de forma conclusiva, apenas através de uma experiência interior com Deus. Não é razoável concluir que o onipotente projetista do universo não teria poder para revelar a si mesmo, ou que não teria interesse em se revelar às suas criaturas (isto é, através da Palavra escrita, a Palavra Viva). Uma vez que admi-timos a existência de Deus, não podemos negar a sua atividade sobrenatural no universo, no tempo e no espaço. Boettner comenta. “Se a oposição ao sobrenatural for realizada de forma consistente, ela não pode apenas negar os milagres, mas deve levar a pessoa diretamente ao agnosticismo ou ao ate-ísmo. A pior e mais acentuada inconsistência para o modernista é admitir a existência de Deus e, contudo, negar os milagres registrados nas Escrituras, por considerar que estes se opõem à lei natural. Uma pequena reflexão deveria convencer qualquer um de que uma concepção teística do universo como um todo coloca em risco a crença nos milagres” (Loraine Boettner. Studies in Theology, p. 53). Porém muitos encontram pouca ou nenhuma ajuda nos argumentos teístas para o estabelecimento dos milagres. Então considere uma outra abordagem. olhe as próprias leis da natureza. O que elas são? Será que elas impedem a possibilidade dos milagres? Quanto ao caráter das leis da natureza, Boettner observa. “Elas não são por si só forças na natureza, mas simplesmente declarações gerais do modo como estas forças atuam, de maneira que possamos ser capazes de observá-las. Elas não são forças que governam toda a natureza forçando a obediência, mas sim meras abstrações sem uma existência concreta no mundo real” (ibid., p. 61). Nesse mesmo ponto, C. S Lewis conclui. “Temos o hábito de falar como se as leis da natureza induzissem os acontecimentos; mas estes nunca foram induzidos... E estas leis não induzem; elas ditam o padrão a que cada acontecimento – se é isto que está sendo considerado como indução - deve se adequar, assim como as regras da aritmética definem o padrão a que todas as transações com dinheiro devem se adequar – se houver algum dinheiro. Assim, por um lado, as leis da natureza cobrem todo o campo do tempo e do espaço; e, por outro, o que elas deixam de fora é precisamente o universo real e inteiro - uma torrente incessante de eventos que fazem a verdadeira história. Isto deve vir de algum outro lugar. Pensar que as leis podem produzir, é como pensar que você pode criar dinheiro verdadeiro apenas fazendo contas” (Lewis, op. cit., p. 71). Então deve ficar claro que as leis da natureza são meramente observações da uniformidade ou da constância na natureza. Elas não são forças que dão início à ação. Elas simplesmente descrevem a forma como a natureza se comporta – quando o seu curso não é afetado por um poder superior. No plano humano, observamos uma constante introdução de novos fatores ou forças para interferirem no curso normal da natureza. É contrário às leis da natureza, imensos navios de aço flutuarem, ou aeronaves pesando toneladas voarem. Outros fatores têm sido introduzidos. De acordo com as leis da natureza, produtos químicos misturados em certas quantidades produzirão um composto benéfico para o homem. Se outra força, como o calor ou outro produto químico for introduzido, o resultado pode ser uma explosão ou um veneno mortal. O homem está constantemente realizando “milagres” à medida que interfere na natureza. Milhares de suas invenções aparentemente violam as leis da natureza. Será que Deus é menos do que o homem? Lewis chegou a uma boa conclusão. “Quanto mais certos estivermos da lei, mais claramente saberemos que se novos fatores forem introduzidos, o resultado variará. O que não sabemos, como cientistas, é se o poder sobrenatural pode ser um desses fatores... O milagre é, sob o ponto de vista do cientista, uma forma de tratar, e até mesmo de falsificar (como alguns preferem), ou mesmo de trapacear. Ele introduz um novo fator na situação, ou seja, a força sobrenatural que o cientista não tinha avaliado” (ibid., pp. 70-71). Não precisaria haver um conflito básico entre ciência e religião. “A ciência... para a maioria agora, mostrou claramente que procurar descrever uma ordem na natureza não implica em negar um fundamento da natureza” (C. J. Wright, Miracle in History and in Modern Thought, p. 178). Há uma tendência crescente de se reconhecer que a ciência é uma coisa e a religião é outra. A ciência procura descrever o fenômeno e desenvolver novas invenções no mundo físico. Ela tenta responder à pergunta “Como?” A religião procura descrever o fenômeno e ampliar os horizontes no mundo espiritual. Ela busca as razões que estão por trás do fenômeno. Ela se esforça para responder à pergunta “Por quê? A ciência e a religião podem se harmonizar através de uma abordagem inteligente do problema. Fica claro que uma harmonização é possível pelo fato de muitos cientistas proeminentes em nossos dias serem totalmente sobrenaturalistas – crentes em milagres. A dificuldade vem quando os homens “agem sob a hipótese de que os milagres são algo impossível de acontecer”. Assim, uma visão ateísta de mundo se torna o critério da história. Ao invés de examinar o mundo para obter uma visão de mundo, os incrédulos usam as suas visões de mundo para tentar construir a história do mundo, e a história que eles construíram é autocontraditória” (Gordon H. Clark, “The Ressurrection”, Christianity Today, 15 de abril de 1957, p. 19). Uma defesa dos milagres no final do séc. XX requer um entendimento da opinião e do pensamento moderno. Por algum tempo houve uma tendência de abandonar a posição extrema de uma negação dos milagres. Na virada do século, Adolf Harnack, um grande liberal, escreveu. “Muito do que foi rejeitado anteriormente tem sido re-estabelecido sob uma investigação mais profunda, e à luz da experiência geral. Quem hoje, por exemplo, poderia desprezar ou escrever apenas resumidamente a respeito da obra de curas miraculosas como aquelas que são descritas nos Evangelhos, como faziam os eruditos de antigamente?” (Adolf Harnack, Christianity and History, p. 63). Desde a sua época, estabeleceu-se uma tendência ainda maior nessa direção. O antigo liberalismo não tinha uma mensagem para o mundo que estava convulsionado e chocado devido a duas guerras mundiais, a corrida das armas nucleares, as guerras frias e quentes entre o Ocidente e o Oriente, os constantes conflitos no Oriente Médio, e os desafios da era espacial. Gradualmente, os baluartes do antigo liberalismo desmoronaram diante dos mundos em colisão, e dos ataques da neo-ortodoxia ou do neo-supernaturalismo. A lei da relatividade de Einstein, e outros fatores, modificaram o antigo conceito Newtoniano do universo, e outras variáveis foram introduzidas, o que abriu a porta para um retorno à posição conservadora sobre os milagres. Isto não significa que o mundo esteja sendo convertido a um cristianismo conservador, mas que a crença em milagres tem sido muito mais intelectualmente respeitada do que costumava ser. Podemos então concluir que uma crença nos milagres não é apenas plausível nos nossos dias, mas que é a única esperança para uma humanidade presa no redemoinho do poder político e de uma iminente guerra atômica. Sem o elemento miraculoso, o cristianismo não teria uma mensagem e nem um consolo para a nossa era. Um Jesus que é simplesmente um mártir da verdade, um príncipe dos filantropos, um modelo de professores éticos, não poderia apresentar aos homens mais do que um idealismo conhecido e desgastado. A única resposta para os mares agitados da vida é um Salvador que possa dizer, “Cala-te, aquieta-te” (Mc 4.39). A única esperança para a vitória sobre o poder de Satanás, é Aquele que os demônios reconhecem e obedecem. A única esperança para o corpo nesta vida e na próxima reside naquele que é o Senhor da vida e da morte. A única esperança para a alma descansa naquele que morreu pelos nossos pecados, ressuscitou e ainda vive para interceder por nós.
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