terça-feira, 9 de abril de 2013

Introdução à Exegese


O que é e do que trata a Exegese.
A Exegese é a disciplina que aplica métodos e técnicas que auxiliam na compreensão do texto sagrado.

Do ponto de vista etimológico hermenêutica e exegese são sinônimos, mas hoje os especialistas costumam fazer uma distinção entre ambas. Hermenêutica é a ciência que estuda as normas que permitem descobrir e explicar o verdadeiro sentido do texto, ao passo que a exegese é a arte de aplicar essas normas.

A expressão "exegese" vem da língua grega e significa "extrair". Ou seja, a exegese extrai do texto o seu significado original, o conteúdo daquilo que o autor tinha em mente comunicar aos seus leitores originais.

A exegese responde à seguinte pergunta:"qual o significado que o autor desejava comunicar?". Para responder a essa pergunta a exegese se ocupa com o que o autor disse, analisando o contexto em que a frase ou texto aparece, e ao por que ele disse isso num determinado lugar, analisando o contexto literário. Sendo assim, a exegese se ocupa com a busca da descoberta do que o autor bíblico tencionava que seus leitores originais compreendessem.

Para que o trabalho exegético seja realizado é imprescindível que sigamos alguns princípios básicos:
1. A Escritura interpreta a Escritura.
2. Primeiro procura-se o sentido literal. A menos que o texto seja claramente figurado.
3. Sempre tenha em vista o contexto.
4. Não perca de vista o princípio da unidade escriturística.
5. O texto deve ser interpretado através do conjunto das escrituras e nunca através de textos isolados.
6. Interprete o texto com isenção de ânimo e desprendimento de preconceito.
7. Busque apenas um sentido no texto.
8. Leia o texto em diversas traduções (5 no mínimo).
9. Faça perguntas ao texto:
A) Quem escreveu?
B) Em qual tempo e lugar em que escreveu?
C) Por que escreveu?
D) A quem se dirigia o escritor?
E) O que o autor queria dizer?

Regras Concisas na Exegese
Interpretar lexicalmente - conhecer a etimologia das palavras e o desenvolvimento histórico de seu significado e o seu uso no documento em análise.

Interpretar sintaticamente - o intérprete deve conhecer os princípios gramaticais da língua na qual o documento está escrito para poder interpretá-lo corretamente.

Interpretar contextualmente - é fundamental manter em mente a linha de raciocínio do autor em todo o documento. Para é interessante observar palavras, frases ou assuntos que sejam repetidos com freqüência  no documento.

Interpretar historicamente - o intérprete deve descobrir as circunstâncias para um determinado documento vir à existência. É necessário conhecer as maneiras, costumes e psicologia do povo no meio do qual o escrito é produzido. A psicologia de uma pessoa inclui suas idéias de cronologia, seus métodos de registrar a história, seus usos de figura de linguagem e os tipos de literatura que usa para expressar seus pensamentos.

Interpretar de acordo com a analogia da Escritura - a Bíblia é sua própria intérprete. Uma interpretação que entra em choque com o ensino total da Bíblia esta fatalmente mergulhada no erro. Um conhecimento acurado do ponto de vista bíblico é a melhor ajuda.

domingo, 7 de abril de 2013

Edificados no exercício da piedade

Texto: “Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas caducas. Exercita-te pessoalmente na piedade”.
                                                                                                                  1Tm 4.7

 Introdução: Ao escrever esse texto Paulo lança mão de um  verbo (gumnaze) do mundo dos desportos que nas nossas versões é traduzido por exercitar, disciplinar ou treinar (1Tm 4.7; Hb 5.14; 12.11; 2Pe 2.14), e se refere ao treinamento para participar nas competições daquela época. Mais tarde esse verbo assumiu um sentido mais geral de treinamento ou disciplina, corporal ou mental em uma habilidade especial.

Elucidação textual: No capítulo quatro de 1 Timóteo, Paulo inclui instruções ao seu jovem discípulo. O experiente apóstolo combina orientações diretas e duras com palavras carinhosas de encorajamento. No trecho que lemos há um belo exemplo dessa mescla de exortação e encorajamento, como veremos.

Verdade teológica: Edificar uma vida piedosa demanda a disposição de se exercitar nos princípios da Palavra de Deus.

Oração de interrogação: quais são os princípios de treinamento na Palavra de Deus para se adquirir a prática da piedade?

Oração transacional:  Há pelo menos três princípios de treinamento Bíblico ensinados aqui sobre o exercício da piedade.

1º Princípio: Responsabilidade pessoal – Timóteo era pessoalmente responsável por seu progresso na piedade. A palavra de Paulo para Timóteo é uma ordem no imperativo, isto é, dependia dele mesmo.

2º Principio: Objetivo correto – Timóteo é exortado a exercitar a piedade, isto é, a devoção a Deus.
   * O termo grego para a palavra "piedade" transmite a idéia de uma atitude pessoal para com Deus, que resulta em ações agradáveis a Ele.
   * Piedade é devoção em ação e devoção é uma atitude para com Deus e não a prática de atividades. E isso deriva do amor a Deus e não da observação de regras, pois se não houver amor a observação de regras será por conveniência e gerará o orgulho farisaico (Mt 22.37-39).

3º Princípio: Características necessárias para o exercício da piedade – Assim como os atletas devem desenvolver características específicas para a sua modalidade, também os cristãos devem desenvolver características específicas para a vida piedosa.
   * A primeira característica é o compromisso. Ninguém alcança a excelência esportiva sem o compromisso de uma dedicação diária ao treinamento. Da mesma forma ninguém se torna piedoso sem o compromisso do exercício espiritual diário que Deus planejou para nosso crescimento diário. Veja alguns conceitos bíblicos cobre o compromisso:  Sl 63.1; Jr 29.13; Fp3.12; Hb 12.14; 2Pe 1.5-7.
   * A segunda característica é ter um professor, mentor, técnico.  Todo atleta, por mais que tenha um dom natural, não consegue se preparar para qualquer competição que seja. Do mesmo modo o exercício na piedade demanda o acompanhamento de um mentor, alguém que seja um modelo de vida no qual nos espelharemos e seguiremos seu exemplo. E, sobretudo, não conseguiremos exercitar a piedade sem o ensino e treinamento do Espírito Santo, o mestre por excelência.
 Não podemos crescer na piedade sem o conhecimento da verdade bíblica, e esse conhecimento não é apenas saber dos fatos bíblicos, mas entender os conceitos ou princípios espirituais que o próprio Espírito Santo ensina à medida que aplica a verdade de Deus em nossos corações.
   * A terceira característica do treinamento espiritual é o exercício ou prática. É o exercício que coloca o compromisso em ação e aplica o ensino do técnico. É a prática que desenvolve a perícia que torna o atleta competitivo em sua modalidade. Igualmente é a prática da piedade que nos capacita a ser cristãos piedosos.

Conclusão: Não haverá vida piedosa se não formos dispostos, se não estivermos focados no objetivo e se não desenvolvermos as características necessárias para a vida com Deus. E isso, somente será possível se amarmos a Deus de fato. Sem o verdadeiro amor a Deus não haverá forças para tão necessária dedicação.
O importante é: até que ponto nós amamos a Deus para nos entregar de corpo e alma ao exercício da piedade? Responda a si e a Deus e tome uma posição definitiva quanto a isso.
Que o Senhor te abençoe.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Entre o ouvir e o praticar

"O meu povo vem a você, como costuma fazer, e se assenta diante de você para ouvir as suas palavras, mas não as põe em prática. Com a boca eles expressam devoção, mas o coração deles está ávido de ganhos injustos".
Ezequiel 33:31

Este alerta de Deus para Ezequiel aconteceu há cerca de 2500 anos e é tão atual quanto o jornal de amanhã.
Temos vivido dias de igrejas lotadas no nosso país, mas a violência, a corrupção, a infidelidade conjugal, a intolerância e tantas outras formas de agressão física, moral e/ou emocional continuam sendo praticadas. E pior, numa escala cada vez mais alarmante. As cadeias continuam lotadas, os escâdalos nos níveis de poder são cada vez maiores e vergonhosos, e por aí vai.
Quantos dos frequentadores dos cultos nas diversas confissões cristãs estão pondo em prática aquilo que ouvem acerca do evangelho? E quantos dos que pregam estão pregando realmente o evangelho e não técnicas humanistas de autoajuda ou o falso "evangelho" triunfalista, que não incuti em ninguém o caráter de Cristo, mas uma busca desenfreada pelo sucesso, poder e dinheiro?
Somos um povo religioso, mas nossa formação religiosa cristã não está surtindo efeito no caráter de grande parte do nosso povo, ou grande parte de nossos formadores religiosos é quem têm transmitido um caráter deturpado ao nosso povo, manipulando e torcendo o genuíno evangelho de Cristo Jesus, nosso Senhor.
Bem, seja qual for o diagnóstico, e me parece que é um misto das duas circunstâncias citadas acima, aqueles que amam ao Senhor Jesus Cristo devem procurar homens com conhecimento de Deus, da Escritura e de teologia, eque sejam sinceros, que se conheça a sua vida e conduta, e ouvi-los pregar para poder praticar o evangelho. Afinal, como disse Jerry Bridges: "Nenhum de nós se torna espiritualmente autossuficiente ao ponto de não necessitar ouvir a Palavra ensinada por outros.".
Como não podemos responder pelos outros, mas apenas por nós mesmos, resta-nos a certeza de que, como pregadores, estamos sendo fiéis no anunciar o evangelho, e também, como frequentadores de cultos, estamos sendo fiéis em buscar os verdadeiros profetas do evangelho (que sua vida e conduta sejam conhecidas e exemplares) e em praticar esse evangelho verdadeiro.
Que peso dessa palavra de Ezequiel 33.31 não esteja sobre a minha ou a sua vida.
Deus te abençoe.

A Imagem de Deus em nós